
Direção: Steven Soderbergh. Com: Benício Del Toro, Demián Bichir, Rodrigo Santoro, Santiago Cabrera, Kahlil Mendez, Julia Ormond, Jorge Perugorría, Catalina Sandino Moreno.
Cine-biografia de Ernesto Guevara de La Serna, o “El Che”, um dos mais importantes revolucionários comunistas da história, aquele que foi considerado pela revista norte-americana “Time” uma das cem personalidades mais importantes do século XX.
Trata-se de dois filmes - O Argentino e A Guerrilha - que abrangem dois períodos distintos na vida de “Che”, mas que representam o espírito político do mito. No entanto, foram gravados juntos, mas, produzidos para serem lançados separadamente no circuito comercial, assim, ambos os filmes se completam. Em caso de direcionamento de interesse pelo tema, recomendo “Diários de Motocicleta”, filme dirigido por Walter Salles, e trata sobre a volta de Guevara pela América do Sul de motocicleta.
Steven Soderbergh constrói este filme, sobre uma guerra (ou guerrilha), sem usar grandes efeitos explosivos, sem usar também a figura de heróis estereotipados, que sacrificam a própria vida em prol de sua amada/amigo/familiar, como é visto na diversos filmes de ação de Hollywood. Soderbergh retrata sim o dia a dia de uma revolução vitoriosa, em seus detalhes mais significantes, nos erros e acertos dos atos de Fidel e sua trupe, filmando assim, com um distanciamento quase documental.
È curioso como Benício Del Toro encarna a figura mítica de “Che” Guevara, não só pelo porte físico similar, mais pela intensidade de seus atos diante das câmeras, certamente o melhor trabalho de atuação de 2008, merecidamente vencedor do prêmio de melhor ator no festival de CANNES. Destaque também para Demián Bichir, que surpreende como Fidel Castro, e Rodrigo Santoro, apesar de aparecer em poucas cenas, convence como Raul Castro.
Uma das grandes sacadas do filme são as ótimas cenas gravadas em preto-e-branco, tendo as imagens um aspecto de envelhecimento, retratando a viagem de “Che” aos Estados Unidos da América, onde o revolucionário se torna santo e demônio ao mesmo tempo, disparando seu famoso discurso incendiário na Assembléia da OEA, e massacrando a delegação dos EUA.
Um detalhe técnico não pode ser esquecido, a filme é rodado com a nova tecnologia de câmera a “Red One”(que alcança 4K, assim como o rolo tradicional), comprovando que a diferença entre digital e película, já é inexistente).
Esta é sim uma película definitiva sobre a passagem de “Che” pela Revolução Cubana, seja nos aspectos revolucionários e ideológico seja nos aspectos constitutivos e monótonos de uma guerra real sem efeitos visuais. Um dos longas mais importantes do ano, vale por seu valor histórico e cinematográfico.

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