sexta-feira, 24 de abril de 2009

Revolutionary Road



Foi Apenas um Sonho

Direção: Sam Mendes.
Com: Kate Winslet(April), Leonardo Dicaprio (Frank), Kathryn Hahn (Milly Campbell), Michael Shannon (John Givings) e Kathy Bates (Mrs. Giving’s).

Frank(DiCaprio) e April (Winslet) sempre se consideraram especiais, diferentes, prontos e dispostos a levar uma vida baseada em altos ideais. Com o tempo, percebem que estão se tornando justamente o que não queriam ser: um homem preso num trabalho de rotina e uma insatisfeita dona-de-casa sedenta por realização e paixão - uma família americana com sonhos perdidos. Logo, eles são levados a seus extremos - um para fugir de sua vida monótona, o outro para salvar tudo o que eles têm.

Sam Mendes (vencedor do Oscar por AMERICAN BEAUTY) comanda esta produção de US$ 35 milhões, com um roteiro adaptado do romance de Richard Yates, filme indicado a três Oscar(Ator Coadjuvante, Direção de Arte e Figurino), e vencedor do Globo de Ouro de Melhor Atriz, além de marcar o reencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet após Titanic.

Ao julgar pela trama apresentada podemos encontrar um casal que vai perdendo gradualmente a capacidade de sonhar, assim, comprometendo de vez a estabilidade amorosa de ambos, onde ocorrem ataques extremamente cruéis entre as parte, frutos das angústias existenciais, decepções mútuas e da incapacidade de convívio mutuo, Frank e April chegam a lembrar dois cegos caminhando em um precipício. Apesar da história ocorrer na década de 50, o tema é atual e esta ligado às vontades e anseios da juventude em contradição com a frieza da maturidade, podendo servir de exemplo para os casais dos dias atuais.

Talvez a grande surpresa da película seja mesmo Michael Shannon que cria, em suas poucas aparições, um personagem lúcido apesar do seu aparente Transtorno de Personalidade Anti-Social (sociopata). Shannon mostra-se o mais real de todos ao dissecar, com crueldade de Hannibal Lecter, o cadáver do casamento de Frank e April. Certamente, o destaque do filme e seja Kate Winslet, em uma interpretação sublime, de longe a melhor do ano de 2008. Winslet apresenta a personagem April com a sutileza e sensatez digna da melhor atriz de sua geração. A decepção fica com Leonardo Dicaprio, que é ofuscado tanto por Winslet quanto por Shannon.

Uma trama transposta por sentimentos viscerais, um drama matrimonial bem articulado. È uma pena que este trabalho seja próximo ao feito pelo mesmo diretor em Beleza Americana, ou seja, não inova conceitos, recursos e estéticas. È bom lembrar que o sucesso do filme está estreitamente ligado às ótimas interpretações de Kate Winslet e Michael Shannon, e ao carisma de Leonardo Dicaprio. Vale cada centavo do ingresso.

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